segunda-feira, 26 de abril de 2010

História do Sistema Monetário Nacional

       No início da colonização do Brasil, o comércio interno era movimentado, em sua maioria, pela pratica do escambo (troca de materiais como: açúcar, gado, chá, fumo, etc.), porém também era utilizado como unidade monetária o real (cunhado na Espanha e nas colônias hispano-americanas). As primeiras moedas brasileiras foram criadas no final do século XVII, com a criação da primeira Casa da Moeda, instalada pelos portugueses em 1694 na cidade de Salvador capital da Colônia na época, as moedas eram cunhadas em ouro e prata, sendo que as de ouro tinham o valor de 1, 2 e 4 mil réis, e as de prata 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis (chamadas pelo povo de patacões). Durante o período de 1695 a 1702, entrou em circulação peças de cobre de 10 e 20 réis, cunhadas na Casa do Porto e destinadas a Angola.

       Em 1808 com a chegada da Corte portuguesa tinha no Brasil uma quantidade pequena de moedas circulando. Com a transferência da Corte para o Rio de Janeiro ocorreu uma grande elevação tanto na produção quanto no comércio, com isso veio à necessidade de se ter mais dinheiro em circulação, como medida fundou-se o Banco do Brasil que iniciou a implantação do papel-moeda, e seu valor era garantido pelo seu lastro, quer dizer, por reservas equivalentes em ouro.

        Em 1833 de acordo com a Lei nº 59, de 08 out. deste mesmo ano, entrou em vigor o MIL-RÉIS (Rs), múltiplo do real, como unidade monetária, adotada até 31 out. 1942. Desde então o Brasil sofreu nove alterações nas suas moedas.

       Em 1942 os MIL-RÉIS (Rs) foram substituídos pelo cruzeiro (Cr$) (denominação origina se das moedas de ouro, pesadas em gramas ao título de 900 milésimos de metal e 100 milésimos de liga adequada), implantado de acordo com o Decreto Lei nº 4.791 de 05 out. de 1942, nesta transformação dos MIL-RÉIS para o cruzeiro cortaram-se três unidades no seu novo valor, ou seja, substituiu-se Rs 1.000,00 (um mil-réis) por Cr$ 1,00 (um cruzeiro). Quando surgiu o cruzeiro o sistema monetário estava uma verdadeira bagunça, havia 40 valores de moedas em circulação, sendo, 5 valores de prata, 14 de bronze-alumínio e 22 de níquel.

      A reforma subsequente deu se em 1965, quando o governo lutava contra uma inflação que quase chegara a índices absurdos no ano anterior. Substituiu se então o cruzeiro pelo Cruzeiro Novo (NCr$), amparado pelo Decreto Lei nº 1, de 13 de nov. 1965. Novamente houve o corte de três unidades no valor monetário, onde, Cr$ 1.000,00 (mil cruzeiros) passaram a valer NCr$ 1,00 (um cruzeiro novo).

       Em 1970 a unidade monetária vigente voltou a ser o cruzeiro (Cr$), porém desta vez não houve o corte das três unidades monetárias, retornando apenas o nome para cruzeiro, este período perdurou até o ano de 1986, quando a inflação voltou a atormentar o país.

       Com o problema inflacionário o então ministro da Fazenda Dílson Funaro anunciou o Plano Cruzado, aparado pelo Decreto Lei nº 2.283, de 27 fev. 1986, o até em então cruzeiro (Cr$) passou a se chamar cruzado (Cz$), perdendo novamente três unidades, sendo que cada Cr$ 1.000,00 (mil cruzeiros) passou a valer Cz$ 1,00 (um cruzado). Em novembro deste mesmo ano adotou se o Plano Cruzado II, ainda com a intenção de estabilizar a inflação do país.Em junho de 1987, o então ministro da Fazenda Luiz Carlos Brésser Pereira, anunciou o Plano Bresser (um Plano Cruzado “requentado” segundo Mário Henrique Simonsen).

       Em janeiro de 1989 com a inflação ainda em alta, Maílson da Nóbrega, atual ministro da Fazenda na época, anunciou o Plano Verão, apoiado pela Medida Provisória nº 32, de 15 jan. 1989, alterando novamente a nossa moeda passando de cruzado (Cz$) para Cruzado Novo (NCz$), novamente tentou se uma expressiva valorização da moeda passando cada Cz$ 1.000,00 (mil cruzados) a valer NCz$ 1,00 (um cruzado novo).

       O Plano Verão não teve o resultado esperado, e já em março de 1990 a até então ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, anunciou o Plano Collor, apoiado pela Medida Provisória nº 168, de 15 mar. 1990, tal plano trousse novamente o Cruzeiro a tona, porem desta vez não houve a alteração do valor permanecendo então NCz$ 1,00 por Cr$ 1,00, este plano durou até 1993, quando tivemos uma nova alteração na nossa moeda.

       A nova moeda criada em 1993, amparada pela Medida Provisória nº 336, de 28 jul. 1993, recebeu o nome de Cruzeiro Real, onde cada Cr$ 1.000,00 (mil cruzeiros) passou a valer CR$ 1,00 (um cruzeiro real).

       Entretanto como se já não bastasse em 30 de junho de 1994, o então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, anunciou o Plano Real, amparado pela Medida Provisória nº 542, de 30 de jun. de 1994, onde cada CR$ 2.750,00 (dois mil e setecentos e cinqüenta cruzeiros reais) passou a valer R$ 1,00, por sinal foi a maior valorização monetária, sofrida de uma única vez, que nossa moeda teve.

       Mas adiante a Medida Provisória nº 542, de 30 jun. 1994, foi convertida na Lei nº 9.069, de 29 jun. 1995, permanecendo até os dias de hoje.

 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Freitas, N.. História do Sistema Monetário Nacional. Disponível em . Acessado em 19/04/2010.

Kaminski, N.. y Mauch Palmeira, E.: “A política econômica e o sistema monetário” en Observatório de La Economia Latinoamericana, Número 85, 2007. Texto completo em HTTP://www.eumed.net/cursecon/ecolar/br/.

Ruiz, M.. A História da Moeda no Brasil. Disponível em . Acessado em 20/04/2010.

2 comentários:

  1. Até o momento não tinha eu visto coisa igual: excelente.

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  2. Excelente trabalho de pesquisa. Apresenta a história do sistema monetário do Brasil em poucas e claras palavras. Desde o período colonial até ao presente momento. Parabéns.

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